quinta-feira, 14 de março de 2013

Belezas de Porto Alegre.


Tenho por hábito quando estou em Porto Alegre fotografar flores e árvores. Nas últimas postadas no Face minha amiga Maria Lucia, conterrânea e também moradora da Ribanceira em Imbituba SC como eu,  comentou da beleza e quantidade de arvores existentes. Este fato me chamou atenção e comecei a olhar também para a quantidade existente na região que mais frequento: Centro, Cidade Baixa e zona Sul e a olhar de como eram solucionados problemas com raízes e galhos em relação aos fios da energia elétrica e aos que cobriam as pistas de rolamentos por onde trafegam grandes quantidades de ônibus e veículos particulares.
Hoje na Avenida Aureliano de Figueiredo Pinto registrei estas fotos:



Podam os galhos que possam prejudicar o transito ou a fiação sem prejudicar o conjunto.


Não se preocupam com as raízes que afloram nas calçadas.


As calçadas são rebaixadas em diversas locais, tanto nas calçadas laterais como no canteiro central, para permitir o trânsito de cadeirantes.


Vejam quantas árvores em uma única quadra.



Nesta foto se observa que mesmo as árvores que ficam quase encostadas nos prédios são preservadas e lá no fundo do terreno outras arvores.
Em quase todos o edifícios existem o aproveitamento de pequenos espaços para plantar arvores de grande porte.

sábado, 2 de março de 2013

Catarina -


O CICLONE QUE ERA FURACÃO

Sexta feira 23 de março de 2004. Às 21 horas estava no bar do Paulo jogando dominó quando alguém chegou dizendo que na TV estavam noticiando que um furacão se aproximava de Santa Catarina, em direção ao litoral sul e que de madrugada atingiria a cidade de Imbituba. O Jogo continuou porque o bar do Paulo é um estabelecimento de boatos e fofocas.
As 22 h fui para casa. Assisti um pouco de televisão e fui dormir. Foi à primeira noite da semana que não tive insônia.
As 9,30 h Sandra e as crianças foram para casa da Tati. O neto da Sandra estava de aniversário.
Ao meio dia levantei, fiz o almoço e após almoçar fui para a imobiliária, queria aproveitar à tarde para digitar o disquete de uma correspondência.
Falando com a esposa do Adelqui ela informou que iria para a Pousada da Maira. Solicitou que eu ao sair desligasse a aparelhagem, pois o furacão iria atingir Imbituba entre 14,30 e 15,00 horas. Disse também que as TVs e Rádios estavam orientando a população de como deveriam agir.
Telefonei para Sandra e ela confirmou ter ouvido as mesmas notícias. Orientei-a ficar na casa da Tati se a situação estivesse feia no fim da tarde que domingo eu iria buscá-la. Desliguei os aparelhos e fui para casa. No caminho alguém me informou que durante a noite o governador do estado teria feito um pronunciamento na TV comentando o assunto e orientando a população.
Por coincidência foi à única noite da semana que não assisti TV, por não ter insônia.
Liguei a TV e a programação estava normal. Por acaso sintonizei a rádio Tubarão quando o locutor informava que o furacão estava 350 km mar adentro na região de Ararangua e atingiria o Brasil de Torres a Imbituba, chegando a costa entre 19 e 21 h. A RBS notícia informou não ser um furacão e sim um ciclone. Explicaram as diferenças e que o ciclone atingiria o litoral entre duas e três horas da madrugada de domingo.
Fiquei tranqüilo por saber que o vento não rodaria nos dois sentidos, única diferença entre os dois é que o vento não seria de 150 km h. e sim 120 km h. A mesma rádio de Tubarão informa que ele, furacão ou ciclone, está 50 km mar adentro na direção de Laguna e se desloca a cinco km hora. Coloco dentro do banheiro dois litros de água, um pacote de bolacha, cigarro, velas, fósforos, serra ferro, marreta e talhadeira. Um colchonete e um cobertor foram colocados depois.
Até as três horas nada mais ouvi. Estava com sono assistindo o Serginho Groismann. O vento lá fora era forte e assustador. Chovia fraco. Esperaria uma hora para deitar. Foi uma das poucas vezes que tive medo. Estava sozinho em casa preocupado com Sandra e as crianças. Nada posso fazer a não ser esperar. Esta sensação de impotência me abatia. Bingo, França e Negrinho permaneciam inquietos na rua. Achei melhor deixá-los soltos na área.
Quando o vento parecia que iria parar, uma rajada mais forte surgia de repente. Não dava para arriscar uma olhadela. As orientações eram para ficar dentro de casa com todas as aberturas fechadas.
Três horas e dez minutos. Após uma calmaria os ventos retornam mais fortes. As guilhotinas das janelas batem. Existe uma folga entre elas. Coloco as cortinas neste espaço e as batidas param. Um frio corre por todo o corpo. Não conheço a casa das Tati. Sei que está em construção. As 20 h tentei falar com eles por telefone e não consegui. Se os ventos aumentarem iria me recolher a meu Bukner. Desligo a corrente elétrica e me fecho lá com mais uma caipirinha e seja o que Deus quiser. Decido tomar um butiazinho.
São 3:30 h. Percorri no rádio todas emissoras AM de Santa Catarina que nada falam da situação no momento. Chama-me atenção o grande número de emissora em poder de igrejas que na madrugada fazem orações e apresentam depoimento de pessoas que se converteram. Na TV cenas do BBB agora sem a Londrinense marcela. Londrina teve duas derrotas esta semana. Uma no BBB e outra para o Grande Grêmio. Faz uns cinco minutos que o vento amainou.
Em 1964 dormi ao lado de farta munição, explosivos (dinamite) nas barrancas do rio Pelotas dentro de uma barraca de lona igual as do exército e de baixo de um forte temporal aguardando a turma do Brizola.
Outra vez em Ibiraiaras dormi a noite toda abraçado a um mosquetão e ao lado de vários pentes de bala aguardando a chegada do delegado João Julio.
Em Paim Filho vivi uns 15 dias armado de dois revolveres, um 38 e outro 32 mais umas 50 balas no bolso aguardando o ataque dos membros do Grupo de 11. Grupos organizados pelo Brizola para matar os adversários políticos. Por diversas vezes nesta minha maluca vida enfrentei situações de perigo como Viagens ao Paraguai com chuva; supervisão das ações sociais do governo em vilas e morros de POA; nas noites entre gigolos, jogadores e prostitutas; no enfrentamento de políticos corruptos (o perigo maior), mas asseguro a primeira vez que tremi foi quando enfrentei o furacão ou Ciclone, acredito por tratar-se de uma situação que nada podia fazer a não ser esperar.
Se a máquina não falhar é sinal que estou bem de saúde.
3:40 h voltou a ventar. Nas rádios nada é comentado. Na TV uma comédia.
O vento continua forte e os animais estão calmos, 80 batimentos cardíacos por minuto. O interessante foi que em todas as vezes que tive emoções fortes nesta já comentada maluca vida estava sozinho.
Se o início do ciclone havia atingido Imbituba as 3 h, segundo cálculos feitos com base nas informações das rádios a estas horas ele já estaria a caminho de Imarui.
Se o raio do funil é de 2,5 km a parte mais perigosa já passara, mas o vento estava mais forte e em rajadas.
As imagens de TV estavam com chuvisco, sinal que o vento prejudicava a transmissão. SBT e Band estão fora do ar. Globo nada comenta e na Record estão rezando pelos pecadores e nada comentam sobre o ciclone.
03h50min h. Servi outra taça de butiá, aquela azul que utilizávamos para tomar cerveja.
Lembrei-me da idéia do Sexta em construir um porão de pedra na casa dele. Quando for construir a nova casa vou fazer o mesmo. Bingo está latindo o que me deixa mais nervoso por não poder ir verificar o que se passa.
4:14 h. A rádio Tubarão comunica que em Ararangua os ventos atingiram 150 km h. Entre Ararangua e Criciúma 50 árvores caíram na BR 101. Em Arroio do Silva e Balneário Gaivotas os estragos foram enormes. Morre uma pessoa em Torres e outra em Criciúma. Dois barcos de pesca naufragaram. 16 pessoas estão desaparecidas em alto mar.
A mesma rádio Tubarão em entrevista com um Capitão PM informa que o furacão está sendo monitorado desde o dia 23. Disse também que as regiões de Ararangua e Criciúma foram atingidas duas vezes e que o furacão pode atingir São Joaquim. A velocidade era de 150 km h. Um especialista disse ser uma coisa nunca vista. Hora era ciclone e hora era furacão.
Fui dormir com uma dúvida. Quero me vingar das horas tensas que passei, mas não sei em quem: no ciclone ou no furacão.